Dezesseis: A estrada da morte

Inspirada na canção Dezesseis da banda brasileira Legião Urbana, a história de amor entre o rebelde João Roberto, Johnny, e a recatada Ana Cláudia, nos transporta para uma aura Shakespeariana em pleno século XXI.

Tendo Brasília como pano de fundo, o livro nos presenteia com diversas citações da obra de Renato Russo a cada início de capítulo, servindo como ponto de partida para os acontecimentos e deixando o leitor fascinado pela história logo de cara.

Com uma escrita simples e direta, a trama, recheada de referencias da cultura art rock da década de 80, se desenvolve sem muitos rodeios, indo direto ao ponto que realmente importa, a relação entre os dois pombinhos e as dificuldades que eles enfrentam para poderem permanecer juntos.

Para muitos leitores, essa rapidez com que os acontecimentos são apresentados pode incomodar um pouquinho, principalmente para aqueles que anseiam por uma caracterização mais detalhada do espaço e tempo, mas em momento algum, essa falta de caracterização deixa a obra a desejar. Ao contrário, a riqueza presente na obra se encontra no trabalho por trás da personificação de cada personagem, fazendo com que o local onde se passa a história seja um mero acessório de apoio à ela.

Esse trabalho permitiu a cada personagem trazer consigo uma assinatura própria, e isso só é possível devido à facilidade com que as emoções e pensamentos de cada um deles nos é confiado, permitindo ao leitor criar empatia, vivenciando junto os sentimentos que emanam deles frente a cada novo evento.

Enquanto Johnny nos cativa pela maneira despretensiosa com que leva a própria vida, querendo transmitir a imagem de James Dean, Ana Cláudia nos emociona com sua aparência frágil em trejeitos de menina. Os dois, ao se relacionarem, acabam criando um elo tão gigantesco que nem mesmo o ódio entre suas famílias é capaz de enfraquecer.

Como uma pitada de melodrama, Johnny é a caracterização viva do tipico adolescente revoltado que não consegue lidar com os próprios sentimentos – e hormônios – e acaba ficando a mercê do destino. Um destino trágico e frio que o conduz para a Estrada da Morte, sem medo algum das consequências.

Alias, consequências é uma das coisas que Johnny jamais leva em consideração antes de tomar qualquer decisão. E é essa inconsequência, que o leva a cometer loucuras impensadas e que acarretam em lágrimas e sofrimento. Mesmo assim, temos que admitir que é especialmente esses atos inconsequentes por parte dele, que faz Ana Cláudia, e nós leitores, se apaixonar mais por ele a cada linha transcorrida diante de nossos olhos.

Com um enredo digno de filme Hollywoodiano, Dezesseis: A estrada da morte, nos leva a um momento de nostalgia, relembrando grandes ícones da música como Janes Joplin, Barão Vermelho, Marisa Monte, David Bowie, nos fazendo recordar uma época marcante para a juventude brasileira, com suas revoluções e descobertas.

Um livro que deve ser lido com a playlist a postos, pois a cada momento em que nos deparamos com um nome conhecido ou um trecho de uma música, tê-la em mãos e poder escutá-la junto da história é uma experiência única e nos permiti ir mais a fundo nos diferentes sentimentos que selaram o destino de Johnny, “um cara legal”.


Dezesseis: a estrada da morte ♠ Simone Pesci ♣ Edição Própria ♥ Crédito de imagem: Pia Prattes

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