Hibisco Roxo: Um Grito por Liberdade

Antes de mais nada quero dizer que esse foi o primeiro livro considerado feminista que eu li, e foi graças à minha irmã que me pediu o favor de entregá-lo à uma amiga sua.

Bem, sabemos que uma bookaholic jamais pega um livro em mãos, sente seu cheiro de novo, folheia suas páginas intocáveis e não lê, certo? Corretíssimo! Em menos de duas semanas eu devorei o livro.

Chimamanda fez um belíssimo trabalho com as palavras dando vida a cada uma delas de uma maneira encantadora, me envolvendo desde as primeiras frases até o último ponto final, que, confesso, me deixou sorrindo por semanas depois de muito ter chorado – um choro de alivio, de descarrego, de vitória.

A riqueza presente em cada cena, em cada gesto, nas palavras em igbo, permitiu meu corpo transpassar as barreiras da realidade e pousar os pés na Nigéria enquanto meus olhos percorriam cada página.

Foi possível descobrir os aromas, ouvir as músicas, sentir as danças como se realmente estivesse em meio à esse povo magnífico. E quando um autor consegue me atingir de tal maneira só me resta uma coisa a fazer, levantar e aplaudir sua obra de pé.

Esse foi com certeza um livro que conseguiu despertar em mim todas as emoções que um corpo humano é capaz de sentir. A maioria das vezes, esses sentimentos não eram nem um pouco agradáveis. Para ser sincera, muitas foram as lágrimas que derramei por Kambili, Jaja e sua mãe, ao longo da história, principalmente quando os acontecimentos aterrorizantes ficavam subentendidos, transformando o que deveria ser uma família amorosa em uma casa dos horrores. A agonia, por exemplo, segurou minha mão e caminhou ao meu lado por todos os parágrafos, só me soltando quando Kambili pode, enfim, se libertar de seu sofrimento ao lado de sua tia, seus primos, do Pai-Nnukwu e principalmente do Padre Amadi, seu primeiro amor e por quem eu torci o livro inteiro para que a resgatasse das garras tiranas de seu pai.

Talvez por isso eu tenha amado tanto esse livro. Não por ser feminista, ou por trazer um tema tão recorrente em nosso mundo e que muitos temem falar sobre. Mas porque Chimamanda entregou personagens tão humanos, delicados e sensíveis que é impossível não se cativar.


Hibisco Roxo ♠ Chimamanda Ngozi Adichie ♣ Editora Companhis das Letras ♥ Crédito de imagem: Brenda Bellani

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